San Blas: um caribe diferente no Panamá

San Blas, divulgação VisitPanama.com
San Blas, divulgação VisitPanama.com

E você ai, achando que já sabia tudo de Caribe, com suas águas azul turquesa mornas e calmas e seus grandes resorts “all inclusive”, refletidos na popularidade de Punta Cana ou St. Marteen, não poderia imaginar que o mundo iria te surpreender mais, não é?

Pois bem, isso vai acontecer agora: eu lhes apresento tão pouco conhecido arquipélago de San Blas, no Panamá!

Li uma vez em um blog que “San Blás é aquele tipo de destino que quando você descobre não quer contar pra ninguém”, e sim, isso é verdade.

O arquipélago de San Blas é uma joia formada de mais ou menos 360 micro ilhas na costa caribenha, que banha o território panamenho. Fica na comarca protegida dos índios Guna Yala. Aqui, muito provavelmente, você pode viver a experiência mais “rústica a autêntica” que você pode encontrar no Caribe.

San Blas (ponto A), hà 2 horas da Cidade do Panamá
San Blas (ponto A), hà 2 horas da Cidade do Panamá

Funciona da seguinte maneira: você pode ir para passar o dia ou se hospedar em uma das cabanas.

São duas horas de carro, a partir da Cidade do Panamá, ou 35 minutos de avião. Entrando na comarca são mais uma 20 minutos até o pequeno porto onde os índios te levam pra ilha que você escolher. Pode-se escolher uma ilha diferente para passar cada dia, pois os índios te levam e buscam na hora marcada.

Em San Blas tudo é rústico. não existem hotéis cinco estrelas nem resorts. As cabanas são de madeira, teto de palha e chão de areia branca. Podem ser individuais, para família ou dividas. É o básico do básico: cama, um mosquiteiro, e só (e para que você precisa mais?). A luz elétrica vem do gerador que é desligado as 21h, e você tem hora marcada para tomar seu banho de água doce.

É all inclusive, sim: você come o que a comunidade indígena pescar: se pescarem camarão, tem camarão. Se pescarem lagosta, tem lagosta, se pescarem peixe, tem peixe! Eles te fornecem as 3 refeições diárias e água doce para beber: café da manha, almoço e jantar, e você pode comprar suas cervejas geladas por USD 1,00 a latinha.

Almoço em San Blas, e ai, prefere McDonalds?
Almoço em San Blas, e ai, prefere McDonalds?

OK, chegamos a este ponto do post e você está ai, desesperado(a), se questionando se “isso lá vale a pena (?)”, mas eu te digo: se seu negócio é comodidade do século 21, ter seu celular com facebook sempre à mão, lanche estilo McDonald’s  e ser paparicado(a) por garçons ao redor da piscina, a qualquer momento, te suprindo de margaritas, então pode parar de ler por aqui…

Agora, se você é aberto(a) a novas experiências, gosta de sossego, da mais pura praia (sem frufru), recarregar as energias e se desconectar do mundo, este é o seu lugar! Pra não dizer que não tem diversão, tem sinuca…

Eu mesmo conheço gente de odiou o lugar, e gente que amou. No saldo, muito mais gente o amou que o odiou 🙂

Feriadão, nesse dia a praia estava absurdamente cheia...
Feriadão, nesse dia a ilha estava absurdamente cheia… Foto por Anderson Alves

San Blas é um local para desapego, costumo dizer. É natureza bruta, indígenas simpáticos, micro ilhas quase privativas, conhecer gente do mundo todo que vai ali atrás deste relax! Mas peraí, esse lugar não é chato, por nada! É aqui e assim que a diversão aparece. Essa é a essência da diversão!

Você pode ir a cada dia à uma ilha diferente, se escaldar nas águas mornas, fazer snorkeling até desbotar, ler todos aqueles seu livros pendentes e não enjoar! O lugar é simplesmente lindo!

Há também que se visitar as ilhas onde os índios vivem. Sim, eles não vivem no continente, mas em ilhas adaptadas como palafitas. É meio estranho, vai te lembrar uma daquelas favelas aquáticas do Recife, mas é a maneira que os índios encontraram de fugir dos mosquitos infectados com malária, pois há anos eles descobriram que os mosquitos não chegam às ilhas.

Um destaque especial é a visita ao “barco hundido” (barco afundado, em espanhol), uma embarcação que naufragou entre as Ilhas Perro e Diablo. A água é tão cristalina que, de snorkel, é possível ver o barco a partir da superfície e toda a vida marinha que cresceu ao seu redor.

Bem, como uma imagem vale mais que mil palavras, lhes deixo com algumas fotos do local para aguçar sua imaginação e te dar vontade de ir a San Blas…

Panorâmica da Ilha onde os índios moram. Foto por Anderson Alves
Panorâmica da Ilha onde os índios moram. Foto por Anderson Alves
Panorâmica, chegada a uma das ilhas, foto por Anderson Alves
Panorâmica, chegada a uma das ilhas, foto por Anderson Alves
Meu tio dando uma de mergulhador profissa..
Meu tio dando uma de mergulhador profissa..
Ilha (quase) deserta. Foto por Anderson Alves
Ilha (quase) deserta. Foto por Anderson Alves
San Blas, Isla Perro. Foto por Anderson Alves
San Blas, Isla Perro. Foto por Anderson Alves
As cabanas privativas do corallodge.com (que fica fora de San Blas, mas faz tours por barco para lá), a que tem melhor estrutura turística.
Interior da cabana no Yandup Lodge, administrado pelos Kuna Yala. Básico, mas resolve…

Serviço:

Como chegar:

  • De carro, pela via Interamericana no sentido sul (Colômbia), tomar a esquerda antes da província de Darién (ver placas) e seguir a única estrada asfaltada;
  • De avião: a partir do aeroporto Marcos A. Gelabert (Albrook).

Hospedagem:

Turismo:

  • Se você domina o espanhol, pode falar diretamente com os indígenas. Eles te buscam no aeroporto ou no Hotel, cuidam de tudo enquanto você estiver lá, e te devolvem aonde você indicar (Contatos: Sr. Milciades ou Sr. Miguel: +507 6635-6737 ou 6656-4673)
  • Caso você não se sinta confiante suficiente, pode contratar uma Agencia de Turismo local para organizar o serviço com os indígenas pra você. (Allegro Tours, Viajes Caribe,  Pesantez Tours, Viajes Marbella, Panama Travel Unlimited, Aventuras 2000, Panama Trails)

Dicas:

  • Leve PASSAPORTE! É necessário apresentá-lo na entrada da Comarca.
  • Tome um cafè da manha leve, no dia da viagem, pois a estrada é muito sinuosa e pode te dar enjoo. Melhor tomar um remédio contra enjoo também…
  • Hoje a estrada já está asfaltada, então esqueça as fotos antigas da internet com a estrada cheia de lama.
  • As diárias nas cabanas incluem as refeições. Cervejas são pagas a parte;
  • Outros serviços são pagos a parte. Para entrar em cada ilha você paga uma taxa que varia de USD 5,00 a 20,00. Para os passeios de barco de 1,0 a 2,00 por pessoa. Então leve dinheiro, de preferência, notas de baixo valor para facilitar.
  • Aluguel de snorkel custa USD 3,00. Mas se você passar pela Cidade do Panamá antes, pode comprar o seu no Albrook Mall bem baratinho (com pé de pato);
  • Leve lanches leves (biscoitos, salgadinhos, barras energéticas, etc.) caso você sinta fome entre uma refeição e outra, dá pra se virar… Se quiser, pode até levar uma caixa térmica cheia de bebida, mas não é preciso pois cerveja gelada não faltam.
  • Deixe seu celular e eletrônicos em casa, pois lá só pega celular por satélite.
  • Se tiver máquina fotográfica subaquática, melhor!
  • Evite os feriadões, pois muitos moradores do Panamá vão para San Blás nos feriados, e do nada você vai ter que dividir sua ilha com umas 15 ou 20 pessoas… Muito chato.
  • Da mesma forma, se for passar o fim de semana ai, de preferência as ilhas mais distantes para ficar mais tranquilo…
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21 comentários sobre “San Blas: um caribe diferente no Panamá

  1. Ah, Anderson, perguntinha: encontrei informações conflitantes sobre risco de malária em San Blás. Os sites americanos dizem que há um risco pequeno e recomendam tomar remédio. Mas tudo que li dos viajantes que foram não mencionam. Você que está aí: isso é paranóia dos americanos ou realmente existe o risco?

    1. Eu diria que o risco é igual ao de uma viagem à Amazonas ou ao Pará: ou seja, você estará em uma área tropical, cercada de florestas, numa zona quente e úmida, o que, pela literatura, é o meio de reprodução do mosquito que transmite a Malária = sempre vai existir um risco… Mas fazer o quê? Não viajar? Creio que o que você leu é muito mais um “disclosure” da embaixada para que os nacionais tenham ciência que há algum risco e, caso manifestem os sintomas, possam dar prioridade no diagnóstico sabendo de antemão que viajaram para uma área de “risco” (e evitar que o médico trate uma infecção por malária como uma gripe comum). Eu já estive lá e conheço várias pessoas que foram e voltaram sanas, mas também não sou louco de prometer que é impossível haver foco de malária lá… Abs e boa viagem!

      1. Hehehe com certeza 🙂 Também acho que é mais um “disclosure” por parte deles, mas enfim, uma coisa é saber de alguém que mora no lugar se a pessoa conhece ou não casos de gente que foi e teve malária ou se é apenas uma informação genérica. Exemplo: quando fui pro Kruger Park na África do Sul, o pessoal que trabalha no turismo de lá contou de vários colegas de trabalho (e até um dos nossos motoristas) que teve malária, alguns mais de uma vez. Bem diferente de ler que existe o risco e nunca ouvir falar de nenhum caso de verdade! Obrigada!

  2. Oi Anderson… pena que qdo vc passou por aquí nao entramos em contacto… gostaria de me apresentar:
    Me chamo Adriana, sou mineira e vivo há mais de 3 anos em San Blas, Panamá, com meu marido e capitao, Edu, num belo catamaran.
    Aqui recebemos viajeiros que se interessam em conhecer um dos ultimos paraisos intocados que existem.
    Quem quiser navegar por esse arquipelago, saltando de ilha em ilha, conhecendo uma etnia indigena que preserva suas tradiçoes, comendo muito bem, visite o nosso site: http://www.cianavegantes.com e/ou nosso facebook: Compania Navegantes y Sonadores e …. benvindos a bordo!

    1. Oi Fabiana, eu moro nas ilhas de San Blas jà hà 5 anos e trabalho por aquí com um catamarán muito bonito levando o pessoal para conhecer os cantinhos mais impresionantes de San Blas.
      Se vc se interessar dà uma olhada no nosso site: http://www.cianavegantes.com e no nosso Facebook: Compañía de Navegantes y Soñadores…
      nao perca San Blas, è o melhor do Panamá! Abracos salgados, Adriana

  3. Boa noite Anderson. Vou viajar em dezembro e passaremos por Panamá, ai resolvemos ficar por aí uns 3 dias. Estamos querendo ir no arquipélago de San Blas pra passar o dia (não poderemos ficar mais tempo), então gostaria de dica de qual ilha é melhor pra conhecer em apenas 1 dia e com quem poderia contratar o passeio aproveitando o máximo possível do dia. Entrei em contato com uma que o horário de retorno é aproximadamente às 3 horas da tarde, o que acho cedo pra voltar.
    Desde já agradeço!
    Bruno

  4. Olá Anderson ! Estou pretendendo ir acampar sozinho em San Blás em outubro/2015. Tenho pesquisado bastante coisa a respeito de San Blás.
    Você sabe me dizer como é o tempo nessa época, tipo chove muito?
    Tenho algumas dúvidas tenho em relação a acampar. Como é o esquema por lá? Tem camping? Existem restrições para campistas? É só chegar e negociar a quantidade de dias com os Índios, pagar e montar a barraca onde eu achar melhor? Vou levar algo de comida para cozinhar. Posso fazer isso lá? Tem algum restaurante para eu querer almoçar caso não queira ou eu não possa cozinhar?
    Como você vê, são muitas dúvidas, se você poder esclarecer algumas delas ou me indicar alguém que possa me ajudar, eu vou ficar muito agradecido. Abs

    1. Olá Anderson!! Aproveitando a pergunta do Ismar acima, também estou querendo ir em outubro agora (2015) porém minha maior dúvida é sobre o clima, pois ví que é o mês que mais chove!! A minha dúvida cruel é se chove a ponto de nao poder aproveitar nada….??!?!?!?!

      Quero ficar uns 5 dias em Bocas del Toro, 5 em San Blas e uns 4 na cidade do Panama!! Creio que será de 13 a 27 de outubro ou algo assim…

  5. Olá Anderson, estou pensando em ir p Costa Rica em Janeiro alugar um carro e ir pro Panamá ficar uma semana ou mais. Mas queria gastar pouco dinheiro, quanto é a diária nas cabanas? E quanto vc gastou +ou- p uma semana? E pode acampar em qualquer lugar?
    Abraços, adorei o post!!

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